terça-feira, 20 de outubro de 2015

O Brasil incoerente

Engraçado que até os debates, normalmente saudáveis, são meio incoerentes nesse país. Por exemplo: hoje se discute abertamente legalização das drogas, porém, a revogação do Estatuto do Desarmamento permanece um tabu. Mas observe, a primeira proposta é altamente rejeitada pela maioria, enquanto que o porte de armas costumava ser comum e é fortemente aprovado. Coincidência?
Não estou questionando a pauta, podemos discutir tudo em seu tempo, mas o que é prioridade? Fumar maconha ou poder se defender em um país com mais de 60 mil homicidios/ano?

Acho que tem assunto na fila das prioridades que deveria estar na fila comum.
Só acho.

O feminismo para eu criança

Estava pensando aqui, se quando criança alguém me pedisse para imaginar uma revolução "feminista" (expressão ainda sem significado pra mim) eu provavelmente fantasiaria uma era de delicadeza, o retorno da mulher à condução do lar unido ao trabalho fora apenas até a maternidade, ruas mais limpas e com jardins, super-valorização do feminino, das mães, da educação das jovens voltada para cultura, etiqueta, para o vestir bem. Imaginaria o retorno do cavalheirismo, da educação pelos pais (não mais terceirizada aos professores), das boas comidas caseiras e dos contos lidos na cama antes de dormir.

O que aconteceu? Em vez disso, mais me parece que as mulheres que protagonizam o movimento se voltaram de uma vez para a "machificação". Degradam os ambientes públicos, cortam os cabelos, mantêm os pelos, tiram as camisas, rejeitam o dom de ter bebês, não cuidam de seus lares. Não lavam a louça.

Eu seria feminista se não tivesse que me tornar quase um homem para poder defender alguma coisa, então prefiro ser mulher mesmo.

A vida dos camelôs ambulantes

Aqui no Rio é super comum que os camelôs entrem nos ônibus para vender guloseimas e água. Agora mesmo um deles entrou distribuindo balinhas para os passageiros provarem seu produto. Ele me deu uma e disse sorrindo: -Olha a bala! Mas pode pegar, não é bala perdida não, mocinha! O camelô tá aqui só pra alegrar o dia de vocês, não sou bandido não! - ainda com o sorriso no rosto.

Essas coisas me fazem pensar. Imagine ter que andar por aí no sol, com aqueles pedaços de pau com um monte de balas, amendoins e pipocas pendurados, repetindo publicamente, incontáveis vezes, que você não é um bandido para poder trabalhar. Quando me coloco nessa situação, eu não consigo deixar de lembrar das pessoas que vivem insistindo, com suas ótimas intenções, em relativizar a culpa dos verdadeiros infratores.

Defender criminoso, na minha humilde opinião, é um capricho burguês (e olha que eu não gosto de usar essa palavra) de quem não só tem pouco contato com o crime, mas como também não possui semelhança física com o esteriótipo deles. Se em algum momento elas saíssem de seus cativeiros de boa-vontade para observar um pouquinho o mundo real, talvez percebessem que tomar certos partidos, não é ficar ao lado do pobre injustiçado. Primeiro porque ser pobre não é sinônimo de ser bandido; segundo porque quem mais sofre com a criminalidade não são as pessoas que vivem longe das periferias, mas aqueles que, mesmo quando não são violentados, já tiveram sua identidade social roubada pelos marginais e precisam se identificar incansáveis vezes como cidadão comum para não causarem medo.

Que situação horrível.

Sobre o marxismo universitário

Esses dias durante uma aula de Economia do Setor Público me deparei com uma afirmação bem incisiva de uma amiga muito querida por mim: "Os empresários são pessoas ruins. Eles abrem uma empresa junto com um monte de gente, pessoas que eles precisam, e no meio de uma crise preferem demitir esses funcionários, traí-los, a diminuir seus lucros. Preferem mandar pessoas embora do que lucrar um pouco menos."

É claro que eu fico chateada com esse pensamento marxista, predominante no meio acadêmico, que cria um estigma sobre milhões de pessoas que produzem, geram empregos, ralam, acordam cedo e trazem desenvolvimento para o país e mantêm esse governo enorme e ineficiente através de altos impostos, mas não pretendo refutá-lo ou se quer respondê-lo aqui. O que eu queria mesmo, era falar sobre o quanto o Brasil perde com essa mentalidade.

Enquanto alguns dos nossos acadêmicos e políticos patinam na lama de idéias atrasadas, preconceituosas e superadas, discriminando abertamente quem investe o próprio dinheiro para abrir um negócio, os modernos países desenvolvidos captam nossas mentes engenhosas e brilhantes, atraindo-as com tecnologia, apoio ao empreendedorismo, baixos impostos e estrutura inovadora e calorosas boas-vindas.

E esse é o preço que se paga por viver uma teoria: o desfalque na realidade. Ouço o tempo todo o "capitalista", o "proletário", os "meios de produção", termos da era da revolução industrial, que nem ilustram a realidade infinitamente mais complexa de hoje. Seria ótimo abaixarmos o roteiro de falas prontas e olharmos o mundo como ele é. O "burguês" de hoje pode ser o favelado de ontem, o "pobre injustiçado" de agora pode ser o "grande capitalista" de amanhã. Isso acontece o tempo todo fora dos livros, basta ver. A teoria marxista é só uma teoria dentre várias outras (e diga se de passagem, superada em países bem-sucedidos economicamente), mas por que é tão difícil encontrar uma justificativa para essas mudanças de classe social no material de estudos da universidade? Porque elas só são possíveis em países livres, respeitosos às leis seculares e "capitalistas", o que eu jamais vi sendo explicado nos livros sugeridos. Sim, o livre mercado, como uma consequência da liberdade que existe dentro da sociedade, onde as decisões feitas de baixo para cima (população > Estado) são respeitadas e onde há confiança e coerência no sistema de leis, é o modelo que permite tais transições, e apenas através desse modelo conhecemos uma sociedade livre de castas fixas, onde as pessoas podem se deslocar livremente entre as camadas sociais de acordo com seus estilos de vida e competência. Mas nunca ouvi falarem isso no ambiente universitário.

Ser contra o capitalismo, pra mim, é rejeitar o resultado do único modelo que conhecemos que nos possibilita mudar de classe social, e o único jeito de o empregado se tornar empregador; e ser contra empresários é ter uma idéia fantasiosa de que existe uma "categoria" que traz infelicidade para o mundo, quando na verdade, sem eles não há estrutura para atender a tanta gente viva com tantas necessidades.

Mas enquanto se proliferam os discursos socialistas por aqui, os odiados empreendedores brasileiros voam para onde são bem-vindos, levando aquela oportunidade de tornar o Brasil um país atual que a gente tanto queria, mas esperava sentado, reclamando e falando mal dos caras de exatas e biológicas.

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-"Quando se fala em Reino Unido, todo mundo pensa na família real, na história, em Shakespeare e coisas mais tradicionais. O que está faltando nessa perspectiva dos brasileiros é a realidade. Somos um país moderno. E com uma força enorme em indústrias criativas”, diz Joanna."

-"Pensando em incentivar os brasileiros a fazerem negócios na Grã-Bretanha, o escritório de negócios do consulado traz esta semana ao país o especialista em tecnologia do UK Trade & Investment Chris Moore para uma rodada de palestras e visitas a empresas com potencial de expansão internacional."

-“A cidade de Londres tem um custo similar ao de São Paulo, mas é possível encontrar outras cidades, como Manchester e Bristol, que são mais baratas e oferecem uma forte infraestrutura de TI, uma rede de universidades próximas e mão de obra qualificada”, afirmou Moore em encontro com empresários na sede paulistana do Banco Santander nesta segunda-feira, 21."

-"A carga tributária no Reino Unido é menor que no Brasil (o imposto de renda de pessoas jurídicas, por exemplo, é de 20% contra 35% por aqui) e empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento recebem incentivos na forma de renúncias fiscais. Outra vantagem de uma expansão em solo britânico é facilitar a entrada na Europa continental, um mercado consumidor maior do que o norte-americano."

http://exame2.com.br/mobile/tecnologia/noticias/reino-unido-atrai-startups-brasileiras-em-busca-de-expansao

O bombom

Fui vítima do que chamam por aí de machismo, mais uma vez.
Estava no ônibus, lendo e entrou uma senhora. Ela vendia trufas e suco de acerola feitos em casa enquanto tentava se equilibrar com uma sacola e um isopor. "Estou aqui trabalhando, não sou pedinte. Vendo esses bombons feitos pela minha filha, que é estudante, ela não trabalha ainda. Sou aposentada, mas meu dinheiro não está pagando minhas contas. Por favor, quem puder ajudar!"
Enquanto ouvia sua história e xingava o governo mentalmente, uma mão me toca no ombro.
-Você vai querer qual? - era um homem, um rapaz negro, um pouco fofinho.
-Oi, hm, eu não trouxe dinheiro, então...
-Pode escolher um!
Eu queria ajudar, mas aceitar de um estran...
-Pega aqui, filha!!! - e num súbito ato opressor, uma sacola enorme cobriu meu campo de visão, recheada de delícias. Não havia como escapar (hihi).
-Vou ficar com brigadeiro,  obrigada. :)
Ele me deu um sorriso simpático e pagou a senhora desajeitada.

Que dizer que agora, além de carregarem minhas malas em toda viagem que faço, além de me darem caminho para subir antes no ônibus, além de se preocuparem com minha segurança a noite, esses homens aleatórios ainda vão ficar me comprando bombons para ajudar velhinhas trabalhadoras?
Mas será o Benedito?
A gente até tenta, mas não dá pra entender as feminazis enquanto existirem homens fofinhos assim.
Aqui vai a foto do meu bombom ❤

Salário e dívidas, uma lição do meu pai

Em uma época que eu ainda morava em Campo Grande, toda quarta depois do cursinho eu ia com meu pai e minha irmã à casa dos meus avós, no centro da cidade, almoçar. Era o melhor dia da semana. Comer a comida da minha vó (que por sorte poderia ser árabe de vez em quando), deitar um pouco naquele quarto grande, cheio de cobertores felpudos, depois do almoço e descer para escolher alguns livros na Maciel, um sebo velho que dividia a pequena quadra com o prédio.
Em um desses dias, já voltando para o cursinho, lembro-me de ter uma conversa com meu pai sobre salário e dívidas. Estávamos na garagem quando ele me contou a história de um amigo.
-Mô, para viver bem, sem faltar nada, quanto você quer de ganhar?
-Quanto eu gostaria de ganhar ou quanto eu acho que vou ganhar?
-Quanto você acha que precisa para manter sua vida sem necessidades e sem se endividar.
-Acho que três mil. Não, pelo menos 2,500. Por que?
-Eu tinha um amigo -ele começou dizendo- chamado Marcos. Nós trabalhávamos juntos no SESC. Marcos vivia reclamando que não ganhava o suficiente, que estava sempre endividado porque seu salário não era o bastante para sustentá-lo. Ele ganhava algo em torno de mil reais. Um dia, ele já não estava mais na empresa. Nos encontramos alguns meses depois na rua, ele com um carrão, todo sorridente me disse: "Junior! Ah, rapaz, que bom te ver! Mudei de empresa, sabe? Estou ganhando dez mil reais. Agora já paguei minhas dívidas, estou feliz da vida, nunca mais vou passar aperto." Eu o dei os parabéns, era bom vê-lo feliz, e perguntei do carro. O que ele me disse foi que essa seria sua única dívida.
Alguns anos depois, nos cruzamos em um restaurante, lá no Jardim dos Estados, ele estava abatido. Novamente endividado.
O que eu quero que você entenda com essa história é: ser um devedor é uma característica da pessoa, não depende do salário. Existem pessoas muito simples que vivem a vida humildemente, poupando e que conseguem sair dessa condição sem nunca se endividar, como fizemos para criar vocês. Por outro lado, existem milionários que perdem tudo o que construíram pelo vício de consumir. Aumentam suas rendas, mas com elas também seus gastos e a superficialidade das coisas que compram. Pense nisso toda vez que estiver com muita vontade de comprar algo.

Nós chegamos na porta do cursinho. Ele me deu um beijo e eu fui pra aula, pensativa.

Quando assisto aos jornais, ouço colegas e professores apoiando o aumento da dívida pública ou o seu fim através de impostos e de operações de crédito, achando que esse é o meio de acabar de vez com o problema do endividamento, eu fico pensando nesse dia.
Quem educou essas crianças?

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Liberdade, estatização dos alimentos e eficiência

As vezes parece meio complicado explicar por que uma pessoa do bem defenderia o fornecimento de produtos básicos (Saúde, Segurança, Transporte, Educação..) pelo mercado (pelas pessoas, por nós mesmos) em vez de fazê-lo pelo Estado (burocratas e políticos). Pois bem, a lógica é bem simples.

Você é a favor de acabar com a fome, certo? Todos somos. Então por que não pedir ao governo que também nos dê comida?

Provavelmente isso não soou bem. Depender dos mesmos funcionários que deveriam nos fornecer hospitais e escolas para comer é um tanto assustador. Primeiro pela incerteza de que a comida chegaria; segundo pela qualidade dela; terceiro porque você provavelmente não quer passar o resto da sua vida na fila para comer no RU. Ora, estou muito bem assim, com meu dinheirinho para poder escolher o que melhor me atender, seja fazendo compras no mercado e cozinhando em casa, seja comendo rodízio ou seguindo uma dieta saudável com uma nutricionista. Não gostamos de comer as mesmas coisas, temos necessidades prioridades e orçamentos diferentes.  Mas espera, isso não se aplica a outros serviços essenciais?

Saúde: Somos biológica e psicologicamente diferentes. Alguns passam pela vida estacionando em cirurgias, outros em psiquiatras, algumas tendo filhos toda hora, outras têm saúde de ferro. Precisamos mesmo de um Sistema Único de Saúde para milhões de pessoas diferentes? Todos pagam um sistema que mal atende os mais necessitados. Imagine se cada um pudesse ter seu plano de saúde individual, feito sob medida. Muito seria poupado.

Transporte: o transporte livre já se provou mais eficiente. O aplicativo de caronas pagas Uber é mais barato do que o táxi e tem qualidade superior. Mas não paremos por aí, e quanto às vans que costumavam atender as pessoas que buscavam uma alternativa ao ônibus lotado, já projetado para transportar a maioria dos passageiros em pé? Tinham rotas mais adequadas aos consumidores, pois eram feitas por quem também usava o transporte público. Tirar o monopólio dos ônibus oferecidos pelos governos traria milhares de empreendedores com novas idéias para descongestionar nossas avenidas entupidas, e o melhor: sem pesar o orçamento público, pois o investimento seria diluído e todos ganhariam com a eficiência.

Educação: Olhe para nossas escolas e universidades. É de dar dó. O Estado já se provou e comprovou ineficiente no cuidado da estrutura escolar e acadêmica das instituições brasileiras. Por outro lado, muitas iniciativas privadas voltadas para o ensino se destacam pela qualidade e satisfação de quem contrata o serviço. Por que não expandir para quem pode pagar menos? É mais do que possivel.

Segurança: Precisamos sim de uma polícia eficiente, mas nos demos conta de que ela nunca será unipresente? Cada um conhece o ambiente que frequenta e tem uma boa idéia dos riscos que corre. Há lugares onde eu me sentiria tranquila e sem necessidade de uma proteção especial, mas há outros que eu sei que corro perigo. O direito de defesa através de instrumentos desenvolvidos para esse fim (sim, armas) deveria ser respeitado, afinal, desde os primórdios é nossa condição natural podermos nos defender e prevenir. Claro que com o devido treinamento, com avaliações de ficha criminal e etc. Como deve ser.

Agora pense, o Estado insiste em controlar esses setores, mas deixa a produção e distribuição dos alimentos para a iniciativa privada. Você já viu algum político, em regimes democráticos, defender a estatização da comida? Provavelmente porque nenhum deles quer perder o cargo em alguns dias, então reconhecem sua incapacidade de gerenciar algo tão ingerenciável e perigoso. A fome é capaz de mover multidões, põe em risco o controle social, a aprovação do governo e a estabilidade. Mas e a saúde? Deixe falecer; a educação? Melhor que sejam quase burros; e a segurança? Ninguém tira governo por isso. Está aí a resposta para uma pergunta raramente feita, que muda toda a perspectiva sobre o assistencialimo social.

Mas, Mônica - você diria - de onde vai sair o dinheiro para pagar plano de saúde, porte de arma, escola, universidade...? Está maluca.

Bom, de toda partida há uma contrapartida. Você já paga por tudo isso através de impostos, taxas e contribuições, já pensou?

Hoje, trabalhamos um pouco mais de ~meio ano~ para bancar um Estado enorme, que usa grande parte desse dinheiro para pagar funcionários públicos e seus pequenos (e grandes) luxos, e outra parte do seu dinheiro para pagar essas coisas para você. Epa, não soa estranho?
Você -> pagar um político -> para mandar um burocrata -> contratar uma empresa -> para dar algo a você.
Acho que se pulassemos algumas etapas o processo ficaria mais barato, rápido e acurado. Você sabe de quais eu estou falando. Por isso, como liberal, insisto em dizer que mesmo que o governo seja extremamente eficiente (como os governos dos países nórdicos) o processo todo ainda sairá mais caro e menos eficiente, pois há mais gente envolvida que deverá ser paga para estar ali no meio, mesmo sendo desnecessário. Sem tantos políticos e funcionários públicos, sua carga tributária poderia ser em torno de 30% menor.

Pense nisso: Você -> contrata uma empresa -> para te dar algo. Ah, bem melhor agora :)

Mais dinheiro no bolso (muito mesmo) para fazer da sua vida algo individual e personalizado. Não mais público e coletivo. É bom pra todos, acredite.